Archive for outubro, 2009

PENSAR É TRANSGREDIR – Lya Luft

Posted in Papos on outubro 30th, 2009 by admin – Be the first to comment

lyaluftNão lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido. Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!” O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente pára pra pensar. Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se. Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida. Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer. Lya Luft

Música da Semana

Posted in Música da Semana on outubro 25th, 2009 by admin – 1 Comment

A partir de agora vamos disponibilizar, sempre no começo de cada semana, uma música para você curtir muito mais esse site.

Chet Baker

 

Vai aí o grande Chet Baker com a música – 01 Autumn Leaves  Clique e Ouça.

 

Boa semana!

Tiradentes – MG

Posted in Sem Categoria on outubro 22nd, 2009 by admin – 1 Comment

001aQue tal visitar uma cidade que tem as marcas do nosso passado?
E que tal chegar nessa cidade num trem Maria Fumaça com seus vagões de madeira que vem lá de São João del Rei?
E de sair passeando por suas ruas admirando suas casas coloniais bem cuidadas?
Que tal poder entrar em várias lojas de fino artesanato?
Pois é, tudo isso você pode encontrar em Tiradentes, uma cidade histórica de Minas Gerais muito bonita e bem cuidada.
São muitas opções de passeio.
Um dia você pode ir até o distrito Vitoriano Veloso, vulgo Bichinho, que pertence a cidade de Prados.
Bichinho possui uma seqüência de casas antigas que servem tanto como moradias, oficinas, ateliês e lojas de artesanato.
Noutro dia você pode ir até São João del Rei, que fica a 10 km.  Você pode também andar pela cidade e tirar muitas fotos.
Enfim, são muitas as opções de lazer nessa bela cidade histórica.
Acho que você não deve perder essa. Vá!
Para mais informações sobre a cidade, acesse aqui no site a coluna “Viagem Brasil” e clique em Tiradentes-MG. Abrirá uma janela com o site sugerido que apresentará muitas informações para você.

Clique para zoon.

Educação e Autoridade – Lya Luft

Posted in Papos on outubro 17th, 2009 by admin – 11 Comments

lyaluftAntes de uma palestra sobre Educação para algumas centenas de professores, um jornalista me indagou qual o tema que eu havia escolhido. Quando eu disse: Educação e Autoridade, ele piscou, parecendo curioso: “Autoridade mesmo, tipo isso aqui pode, aquilo não pode?”. Achei graça, entendendo sua perplexidade. Pois o tema autoridade começa a ser um verdadeiro tabu entre nós, fruto menos brilhante do período do “É proibido proibir”, que resultou em algumas coisas positivas e em alguns desastres – como a atual crise de autoridade na família e na escola. Coloco nessa ordem, pois, clichê simplório, porém realista, tudo começa em casa.

Na década de 60 chegaram ao Brasil algumas teorias nem sempre bem entendidas e bem aplicadas. O “É proibido proibir”, junto com uma espécie de vale-tudo. Alguns psicólogos e educadores nos disseram que não devíamos censurar nem limitar nossas crianças: elas ficariam traumatizadas. Tudo passava a ser permitido, achávamos graça das piores más-criações como se fossem sinal de inteligência ou personalidade.

 “Um não na hora certa é necessário, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida” 

“Meu filho tem uma personalidade forte” queria dizer: “É mal-educado, grosseiro, não consigo lidar com ele”. Resultado, crianças e adolescentes insuportáveis, pais confusos e professores atônitos: como controlar a má-criação dos que chegam às escolas, se uma censura séria por uma atitude grave pode provocar indignação e até processo de parte dos pais? Quem agora acharia graça seria eu, mas não é de rir.

Gente de bom senso advertiu, muitos ignoraram, mas os pais que não entraram nessa mantiveram famílias em que reina um convívio afetuoso com respeito, civilidade e bom humor. Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia. Os pais, por mais moderninhos que sejam, no fundo sabem que algo vai mal. Quem dá forma ao mundo ainda informe de uma criança e um pré-adolescente são os adultos. Se eles se guiarem por receitas negativas de como educar – possivelmente não educando -, a agressividade e a inquietação dos filhos crescerão mais e mais, na medida em que eles se sentirem desprotegidos e desarmados, porque ninguém se importa em lhes dar limites. Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse.

Um não é necessário na hora certa, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida (que não é sempre gentil, mas dá muita porrada!) do que a negligência de uma educação liberal demais, que é deseducação. Quem ama cuida, repito interminavelmente, porque acredito nisso. Cuidar dá trabalho, é responsabilidade, e nem sempre é agradável ou divertido. Pobres pais atormentados, pobres professores insultados, e colegas maltratados. Mas, sobretudo, pobres crianças e jovenzinhos malcriados, que vão demorar bem mais que encontrar seu lugar no grupo, na comunidade, na sociedade maior, e no vasto mundo.

Não acho graça nesse assunto. Meus anos de vida e vivência mostraram que a meninada, que faz na escola ou nas ruas e festas uma baderna que ultrapassa o divertimento natural ao seu desenvolvimento mental e emocional, geralmente vem de casas onde tudo vale. Onde os filhos mandam e os pais se encolhem, ou estão mais preocupados em serem jovenzinhos, fortões, divertidos, ou gostosas do que em ser para os filhos de qualquer idade algo mais do que caras legais: aquela figura à qual, na hora do problema mais sério, os filhos podem recorrer porque nela vão encontrar segurança, proteção, ombro, colo, uma boa escuta e uma boa palavra.

Não precisamos muito mais do que isso para vir a ser jovens adultos produtivos, razoavelmente bem inseridos em nosso meio, com capacidade de trabalho, crescimento, convívio saudável e companheirismo e, mais que tudo, isso vem faltando em famílias, escolas e salas de aula: uma visão esperançosa das coisas. Nesta época da correria, do barulho, da altíssima competitividade, da perplexidade com novos padrões – às vezes confusos depois de se terem quebrado os antigos, que em geral já não serviam -, temos muita agitação, mas precisamos de mais alegria.

 

                                    23 DE SETEMBRO, 2009 / Veja

                                                    LYA LUFT é escritora

Uma noite em São João del Rei – MG

Posted in São João del Rei - MG on outubro 12th, 2009 by admin – Comentários desativados

DSC00812Fui muitas vezes a essa cidade, mas não fazia idéia da beleza de seus casarões e Igrejas iluminados à noite. Costumo ficar em Tiradentes e por vezes me hospedo em São João del Rei.  A distância entre as duas cidades é de 12km.
Numas dessas idas, alguém comentou sobre a iluminação do centro histórico.
Falaram que era uma coisa muito bonita e bem feita. Fomos conferir.
Procuramos fotografar um pouco mais tarde para evitar os carros estacionados nas ruas, por isso as fotos podem dar uma impressão de que a cidade estivesse vazia, mas o objetivo foi realmente evitar os carros.
Deveria ser proibido o trafego de carros no centro histórico, exatamente com é feito em Parati-RJ.
Não deixe de ir! Vale a pena conferir!
Para mais informações sobre a cidade, acesse aqui no site a coluna “Viagem Brasil” e clique em São João del Rei. Abrirá uma janela com o site sugerido, que apresentará  muitas informações sobre a cidade.
Um abraço.

Clique para zoon.

A Velha Estação Benjamin Constant – MG

Posted in Sem Categoria on outubro 4th, 2009 by admin – 2 Comments

Combinei com meu amigo Moura que voltaria a Além Paraíba para fazer mais fotos das velhas estações de trem da região.
Programei inicialmente de fotografar a estação de Sapucaia, que está restaurada. O Moura me conveceu de darmos uma chegada até a estação Benjamin Constant.
Chegando em Sapucaia, atravessamos a ponte dobramos a direita e pegamos uma estrada de terra para chegarmos a essa estação.
Andamos uns 7 km até lá. O lugar fica bem próximo de umas das obras de Furnas para a construção da Usina de Simplício.
O lugar me transportou no tempo. Existe na beira da estrada algumas casas, a velha estação e uma pequena capela.
Eu e o Moura  fotografamos  bastante. Observei  a  estação por vários angulos. Para cada angulo escolhido, antes de fotografar, eu ficava pensando e quase vendo, as pessoas que por alí passaram. Dava para imaginar carregadores de café subindo as rampas laterais da plataforma e empilhando sacos com destino as capitais e portos do país, pessoas importantes chegando à cavalo, grupo de fazendeiros aguardando achegada do trem e outras loucuras do cérebro. Parte do piso no seu interior está intacto. Quantas pessoas pisaram nele?
Onde ficava o telégrafo? E o guichê ? E o balcão de informações? Quantas pessoas trabalhavam alí?
Dá vontade de viajar no tempo e ver as pessoas circulando na estação. O passado está alí, escondido por entre os matos e árvores dentro e fora das suas paredes.
Foi uma experiência incrível.
Voltamos para casa, e na passagem por Sapucaia, fotografamos a sua bela estação.
Foi um trabalho com muito bate papo e um tremendo prazer em fotografar.
Coloquei nessa postagem , fotos antigas para passar para vocês um pouco dessa sensação de volta ao passado.
Um abraço.

Clique para zoon.

 

Estação de Trem de Sapucaia – RJ

Posted in Além Paraíba - MG, Sapucaia-RJ on outubro 4th, 2009 by admin – 2 Comments

Esta é a bela estação restaurada de Sapucaia e uma velha ponte do outro lado do Rio Paraíba do Sul.  Observem os detalhes. Vale conferir.

Abraços.

Clique para zoon.